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Saindo do exílio junho 18, 2008

Posted by Melissa Quintanilha in divagacoes, mestrado.
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Esses últimos 3 anos foram anormais pra mim. Eu vivi em Columbus mas sempre dizia que vivia mesmo numa bolha pois não sobrava tempo pra quase nada além do mestrado. Minha vida era praticamente faculdade e casa. Chegava em casa e sempre tinha algo pra fazer. Foram muito raros os dias que cheguei em casa e pude relaxar. Quando se faz um mestrado, o trabalho nunca acaba. Não é como um emprego onde você trabalha de 9 as 6 e pode descansar o resto do tempo se quiser. Num mestrado a sua pesquisa, tese, projetos e aulas não acabam às 6 da tarde. Vão pra cama com você, às vezes aparecem nos sonhos (hello amebeats e buddywall!) e reaparecem no dia seguinte.

Foi pauleira meu mestrado. O primeiro ano foi um tanto desumano. Eu não tinha tempo pra mim e raramente pros amigos. Fim-de-semana era quando eu tinha tempo de adiantar meus projetos. Nas poucas vezes que saí, me decepcionei. Ia para esses bares e boates típicos de universidade americana e não me identificava com as pessoas ou com o tipo de diversão. Não me identifico com os americanos “padrão”. As meninas com cabelo loiro escorrido, voz de taquara rachada e que quanto bebem passam de santas a putas em 1 nanosegundo. Os meninos com camisa de futebol americano, boné, e quando bebem viram uns estúpidos que só querem saber de berrar e dançar trenzinho com as meninas. Ver isso no meu primeiro ano me deixou tão frustrada… e eu tava tão ocupada que acabei optando por mergulhar de cabeça no mestrado.

O 2o ano foi um pouco melhor e eu tive bons momentos com algumas poucas amigas brasileiras que fiz por aqui.

Deixei de conhecer melhor muita gente legal por falta de tempo. Sim, eu não me identifico com o americano “da média”, mas conheci muito americano legal. Só não tive tempo de aprofundar uma amizade. Acabei ficando mais com o grupo de amigos brasileiros. Estava sempre estudando e trabalhando e quando tinha um pouquinho de tempo, saía com eles ou simplesmente descansava pois ficava esgotada.

Agora que o mestrado acabou e eu estou indo pra uma nova cidade recomeçar do zero, fico com aquele medo de continuar meio isolada. Mas o que me isolou mesmo foi a quantidade excessiva de estudo e trabalho durante o mestrado. A falta de tempo que me perseguiu por 3 anos.

Em Seattle quero voltar a ter uma vida “normal”. Claro que vou me dedicar ao trabalho, vou continuar estudando e construindo meus projetos pessoais. Mas quero conhecer gente, conhecer lugares. Quero me sentir bem lá. Quero ter amigos com os quais eu tenha prazer de estar. Pra isso é preciso tempo, que faltou nos últimos anos.

Mudar dá sempre um medinho, mas eu tô pronta.

Vou aproveitar as últimas semanas em Columbus pra sair com os amigos que fiz aqui, me reencontrar com pessoas que gosto e nunca tive muito tempo, passear por aqui… Pois é capaz de eu não voltar mais.

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Comentários»

1. Paula Vieira - junho 19, 2008

Ohh, como entendo, esta vida de mestranda, é dia e noite, pensando na pesquisa. Imagino que não deve ter sido nada fácil para vc. Para mim, que estudo e moro na mesma cidade, com todo o conforto da casa dos pais e proximidade dos amigos, eu costumo dizer que desde que entrei no mestrado, não existe “vida além do meu quarto” (rsrsrs), imagina longe de tudo e de todos. Bjo, Paula. p.s. eu me diverti lendo o 2 parágrafo, parecia que estava vendo aqueles filmes bem colegiais da sessão da tarde. É igualzinho! Totalmente cafona! Hehehehee.


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